Dia 16 de agosto de 2011, acho que posso considerar o pior dia da minha vida. Tinha acabado de fazer 31 anos. Estudante de direito, segundo semestre na PUCRS e já trabalhando em um escritório de advocacia.
Dois meses antes, em consulta com uma médica Endocrinologista, pois em um ano havia engordado 15 kg, de 62 Kg cheguei aos 77 Kg, à médica verificou minha pressão arterial e viu que estava alta 150 X 110. Pediu para que eu verificasse todos os dias, e a partir daí todos os dias a pressão arterial estava elevada. Procurei um Clínico Geral onde ele pediu exames de sangue, deram todos normais. Mas eu não me sentia bem, às vezes sentia dores leves no peito, falta de ar, então retornei no médico e ele disse que eu estava estressada, me encaminhou então para o Psicólogo. A consulta com ela foi tranqüila, conversei bastante, contei tudo o que estava acontecendo, falei que meu trabalho era estressante, pois trabalhava com metas, e estas estavam impossíveis de cumpri-las, cobravam muito e trabalhava o dia todo sobre pressão. Ela achou que eu já estava com um quadro depressivo e que precisava de tratamento com ela e com o Psiquiatra. Em consulta com a Psiquiatra, ela achou que eu não precisava de medicação, pois deveria descobrir o que estava me incomodando, descobrir a causa do meu estresse, mas pediu para que eu retornasse em um mês.
No dia 15 de agosto, fui ao retorno da consulta com a Endocrinologista, que verificou minha pressão de novo e estava mais elevada que antes, 116 X 110, contei toda a minha peregrinação pelos médicos e ela solicitou que eu fizesse um exame, chamado MAPA, que iria medir minha pressão arterial por 24 horas. Mas não deu tempo, pois no dia seguinte foi o dia que eu considero se não o pior, uns dos piores de toda a minha vida.
Dia 16 de agosto terça-feira, comecei o dia logo com uma reunião no trabalho que me deixou muito angustiada, pois estabeleceram uma meta que deveríamos cumprir até o final do mês, o que eu sabia que era impossível. Trabalhei o dia todo desmotivada. Saindo do serviço fui para aula, realizei um trabalho em aula, mas durante aquele tempo passei com dor no peito, era uma dor enjoada, chata, não conseguia me concentrar em nada, apenas naquele mal estar horrível. Naquele dia eu tinha aula até as 21:00 horas, saí da aula me sentindo ruim, achei que estivesse com a pressão alta, fui até a farmácia da Faculdade, mas estavam com o aparelho estragado. Então fui pegar o ônibus para ir para casa, era o primeiro dia que pegava aquele ônibus, pois nos outros dias saía da aula às 22:30 hs.
Sabia que não estava bem, mas pensei que era só um mal estar e iria passar, o ônibus tinha andado uns 20 minutos, quando senti uma dor muito forte no peito, não conseguia respirar, parecia estar desmaiando e morrendo ao mesmo tempo, jurei estar tendo um enfarte. Chamei um rapaz que estava sentado ao meu lado, para ele avisar o motorista, mas consegui me levantar e ir até a frente do ônibus, o motorista começou a ligar buscando ajuda, e eu liguei para o meu marido e minha mãe, a impressão que eu tinha era que estava morrendo e nunca mais iria vê-los, a imagem dos meus filhos vinham na minha cabeça, me batia um desespero e eu chorava muito, tremia, e a respiração e a dor no peito cada vez pior, parecia que a minha cabeça estava ficando vazia. Foi nesse momento que vi uma viatura da Brigada Militar vindo em nossa direção, o motorista fez sinal para eles e me levou até eles. Eles me levaram para o Hospital Conceição, mas o tempo todo eu tinha a impressão de não conseguir chegar viva até lá. O desespero era horrível, e não conseguia fazer nada para melhorar.
Os Brigadianos não deram muita atenção para mim, me sentia um lixo naquela hora, pois me largaram na rua em frente ao Hospital, disseram que não podiam me ajudar a entrar, pois a função deles era só de remover até o hospital. Saí daquela viatura com as pernas bambas, pois elas tremiam muito, e a sensação de morte era inevitável. O hospital estava lotado, gente por toda a parte, não tinha lugar nem para me sentar. Passei pela sala de seleção de risco, minha pressão estava 180 X 120, a enfermeira disse que eu teria prioridade no atendimento, mas a hora prevista de espera era de duas horas, eu me desesperava cada vez mais. Fiquei sozinha lá acredito que uns 30 minutos ou mais, até que meu marido, minha mãe, meu pai, minha irmã chegaram. Parece que fiquei mais nervosa ainda com a chegada deles, na minha cabeça aquilo era uma despedida. Fizeram um eletrocardiograma e não tinha alteração nenhuma, mas a previsão de atendimento agora era só às quatro horas da madrugada.
Lembramos que tinha um Centro Clínico ali perto, que era o meu convênio médico, mas o medo de sair dali e entrar no carro e morrer era enorme. Mas resolvi arriscar, chegamos lá e o médico me examinou e me deu medicação suspeitando de uma doença chamada Feocronocitoma, eu não tinha idéia do que seria isso. Fiquei um tempo em observação e ele me liberou, mas eu teria que consultar um cardiologista ainda durante aquela semana.
Minha irmã Marciele foi dormir lá em casa comigo, pois meu marido trabalha à noite, chegando em casa fui pesquisar na internet o que era essa doença, e quase entrei em estado de choque, pois era um tumor nas glândulas supra-renais, e o tratamento é quimioterapia ou cirurgia, chorei desesperada, aquela noite foi terrível.
Foi apenas o início de uma luta constante.
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